|
|
ISTORIAL DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ESPELEOLOGIA |
|
Na década de 80 assistiu-se ao redespertar da espeleologia portuguesa. A maioria dos grupos existentes até essa altura ou se extinguiram ou se transformaram. Aos poucos que resistiram vieram-se juntar um lote de grupos novos e dinâmicos. A necessidade de uma Federação era cada vez mais evidente, mas não foi ainda no III Simpósio Nacional de Espeleologia, realizado em Sintra no ano de 1982, que a constituição da Federação foi avante, apesar de um grande empenho colectivo. Em Janeiro de 1985 foram lançadas as bases para a Federação Portuguesa de Espeleologia - FPE. É ainda nesta fase de pré-federação que surge o primeiro curso de monitores, o qual ficou sem efeito. A 29 de Julho de 1986 é outorgada a escritura oficial e constituída a FPE. Nesse ano a
FPE participa pela primeira vez num evento internacional: o IX
Congresso Internacional de Espeleologia, em Barcelona. Na década de 90 tem-se assistido à continuação dos esforços iniciados nos finais dos anos 80. Em 1990 realiza-se o II Congresso Nacional de Espeleologia em Torres Vedras. Os regulamentos da Comissão de Ensino são aprovados em 1991 e as Normas de Curso em Abril de 1992. Ainda em 1991 é terminado o primeiro Curso de Monitores da FPE. Em Agosto de 1992, dois representantes da FPE participam em Hélécine (Bélgica) na Conferência Europeia de Espeleologia. Em Outubro de 1992 realiza-se o III Congresso Nacional de Espeleologia e em simultâneo o I Encontro Internacional de Vulcanoespeleologia das Ilhas Atlânticas, em Angra do Heroísmo, Açores, com a presença de inúmeros espeleólogos de vários países. Em 1993 é realizado o II Curso de Monitores e o I Curso de Formação de Quadros da FPE. Em Abril de 1994 a FPE organizou o percurso de Sua Excelência, o Sr. Presidente da República Portuguesa no Maciço Calcário Estremenho, durante a Presidência Aberta do Ambiente. Em 1997 a Federação Portuguesa de Espeleologia participa no XII Congresso Internacional de Espeleologia, na Suíça, na qual instala um stand de forma a divulgar a actividade espeleológica em Portugal. 1998 - a FPE é coorganizadora do X Encontro Internacional de Docentes em Espeleologia, que decorreu em Madrid, Espanha, conjuntamente com a Federação Espanhola de Espeleologia e a Federação Francesa de Espeleologia. Actualmente existem em Portugal cerca de 30 grupos de espeleologia, dos quais mais de metade são membros da FPE.
| |
| ISTÓRIA DA ESPELEOLOGIA EM PORTUGAL | |
|
Os primeiros registos da actividade espeleológica no nosso país datam de 1758, data em que o Padre Manuel Dias descreveu a exsurgência dos Olhos de Água; de 1854, ano em que foram publicados os escritos das escavações em grutas da região de Condeixa, da autoria de Costa Simões e de 1872, ano em que foi publicado, no Diário Ilustrado nº 127, a descrição de uma visita à Gruta das Alcobertas, da autoria de B. Soveral. A realização em Lisboa do IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica, em Setembro de 1880, incluiu uma visita às grutas do Poço Velho em Cascais, importante necrópole neolítica, o que contribuiu decisivamente para o nosso reconhecimento no estrangeiro. Desde essa data até aos finais do século XIX, Portugal acompanhou a evolução europeia nestes domínios, publicando e apresentando em congressos internacionais trabalhos sobre grutas nacionais, como os de N. Delgado (1867, 1880, 1884, e 1889), E. Veiga (1886), F. P. Oliveira (1889), C. Serrão (1891), J. L. Vasconcelos (1895, 1896), M. Apolinário (1897) e de J. J. Nunes (1897). Os investigadores estrangeiros não ficaram indiferentes a este caudal de informação e antes do virar do século começaram a trabalhar nas nossas grutas, quer na área da antropologia quer na da biologia e hidrogeologia. Entre estas salienta-se P. Choffat que em 1891 iniciou a sua actividade em Portugal, cujos trabalhos se revestem de grande importância para o conhecimento geológico do país. No princípio deste século renovaram-se as visitas de cientistas estrangeiros (W. Brindley, G. Eugenaud e E. Harlé), mas foi apenas nos anos vinte que estudiosos mais distintos nos visitaram, como H. Breuil, R. Jeannel, E. Recovitza e E. Fleury. Este último publicou, em 1923, o livro "Portugal Subterrâneo" e devido ao seu contributo nos campos da geologia e geoespeleologia nacionais pode ser considerado o "pai" da espeleologia em Portugal. Na década de trinta verificou-se uma retoma dos portugueses aos trabalhos de arqueologia por A. Athayde, A. M. Nogueira, M. Costa e Mendes Costa, de biologia por F. Frade e de carácter geral por J. Boléo. Na década de quarenta foi dado outro passo importante para a espeleologia com o aparecimento dos primeiros espeleólogos, os quais começaram como auxiliares e colaboradores das expedições científicas e que posteriormente se agruparam, tornando-se assim autónomos. Ainda nos anos quarenta surgiu o primeiro inventário de cavidades portuguesas, publicado na revista científica e literária de Coimbra "O Instituto" (1945); em 1948 é criado o primeiro clube de espeleologia e publicado um verdadeiro inventário das cavernas calcáreas de Portugal, da autoria de Bernardino e António Barros Machado, resultado dos seus trabalhos nos anos 30 e 40 e A. F. Martins que em 1949 publica um estudo global da geografia física do Maciço Calcáreo Estremenho. É de salientar que esta publicação foi reeditada em 1999. O fim da década de 40 e o início da de 50 foram de grande importância para a espeleologia, com a exploração do complexo Moinhos Velhos - Pena - Contenda. Em 1957 efectua-se precisamente neste sistema uma expedição de alunos da Universidade de Londres. Assim, Moinhos Velhos e o seu sistema mantêm até 1985 o 1º lugar do "ranking" das cavidades em Portugal. Em 1956 e 1957 foram publicados estudos regionais sobre a Beira Litoral da autoria de A. F. Soares, L. N. Conde e A. F. Tavares. Nos anos 60 a espeleologia começa a evoluir fora dos meios universitários e científicos: em 1961 é publicado por A. V. Moreira, na Escola Comercial Veiga Beirão, um folheto com o título "Noções de Espeleologia" e em 1963 o mesmo autor publicou "Espeleologia" nos cadernos de Educação Física. A década de 60 caracterizou-se ainda pelo início da actividade espeleológica nos Açores: um clube local, a Sociedade de Exploração Espeleológica - Os Montanheiros, faz explorações na Ilha Terceira; em 1963 V. H. Forjaz descreve uma cavidade da Ilha do Pico; em 1966 foi publicado pelo Centro de Instrução Especial de Espeleologia um trabalho sobre os canais lávicos da Ilha Terceira e em 1967 o Grupo de Espeleologia da Faculdade de Ciências de Lisboa realizou uma expedição aos Açores. Foi ainda na década de 60 que se formaram vários clubes de espeleologia e que surgiram os primeiros cursos de formação. Na década
de 70 a formação de espeleólogos passou a ter melhor
qualidade, começando espeleólogos portugueses a realizar estágios
em França e os clubes a apostar em cursos de formação. Surgem
ainda publicações especializadas como: Speleo (Novembro de
1970), Boletim dos Serviços de Exploração Subterrânea;
Espeleo Notícias (1972), Boletim do Gabinete de Estudos
Espeleológicos do Centro Universitário de Lisboa; Algarocho
(Julho de 1976), Boletim da Sociedade Portuguesa de
Espeleologia. Na década de 80 surgiram mais duas publicações de natureza espeleológica: O Mundo Subterrâneo, da Associação de Espeleólogos de Sintra (1980) e EspeleoDivulgação, do Núcleo de Espeleologia da Associação de Estudantes da Universidade de Aveiro (Junho de 1982). As explorações estrangeiras a Portugal são retomadas em 1983, com a realização de uma expedição francesa à nascente do Alviela. Em 1985 é publicado o livro "Grottes et Algares du Portugal" de C. Thomas; no mesmo ano o seu trabalho, juntamente com o SAGA - Sociedade dos Amigos das Grutas e Algares, na gruta do Almonda tornaram esta cavidade na 1ª do "ranking" nacional, contando actualmente com cerca de 13 Km de desenvolvimento total. Em Agosto de 1987 realiza-se mais uma expedição francesa ao nosso país, constituída por 12 espeleólogos e 8 mergulhadores que exploraram alguns algares e mergulharam as Nascentes do Alviela e Almonda, chegando na primeira a 425 metros de distância e atingindo a cota de mergulho de - 60 metros. No ano seguinte, uma outra expedição francesa à nascente do Alviela, desta feita com uma equipa da Comissão de Mergulho Subterrâneo da F.F.E.S.S.M., atingiu a cota dos - 78 metros e topografou 820 metros de galerias. Realizaram-se mais algumas expedições ao nosso país em anos posteriores, não só por franceses como também italianos e espanhóis. Em 1990 surge mais uma publicação versando o território continental,
o livro de Lúcio Cunha, "As Serras Calcárias de Condeixa -
Sicó - Alveiázere. Estudo de Geomorfologia". |
|
© 2000 - 2008 FPE - Federação Portuguesa de Espeleologia. Todos os direitos reservados. |