Introdução
A interface da ciência com todos os aspectos que digam respeito à exploração e respectivo estudo de grutas ou cavernas, assim como a sua aplicação na prática, denomina-se de espeleologia. A espeleologia, no âmbito internacional, encontra-se organizada em torno da União Internacional de Espeleologia (UIS – Union International de Spéléologie), reconhecida pela UNESCO como organismo internacional não governamental, criada na década de setenta. Na Europa existe desde os anos noventa a Federação Europeia de Espeleologia (FSE – Fédération Spéléologique Européene). Em Portugal a espeleologia está organizada em associações, sendo que a sua maioria encontra-se inscrita na FPE – Federação Portuguesa de Espeleologia. A FPE foi criada em 1986 e à semelhança das suas congéneres estrangeiras é a única entidade federativa e, simultaneamente, a instituição da sociedade civil interlocutora privilegiada nos diferentes domínios da espeleologia. Na persecução dos seus objectivos a FPE tem instituído diversas comissões, nomeadamente; a Comissão de Ensino, responsável pela formação e credenciação dos espeleólogos em Portugal; a Comissão Científica, responsável pela orientação, validação e acreditação dos trabalhos espeleológicos desenvolvidos nas mais diversas áreas; a Comissão de Cadastro, responsável pelo inventário nacional de cavidades; entre outras. Perto do seu 25º aniversário a FPE e a espeleologia portuguesa atingiram um patamar de maturidade que lhes permite voltar para o exterior. Há vários anos que espeleólogos portugueses participam em expedições internacionais e a FPE contribui activamente para a organização da espeleologia noutras nações, de que é exemplo o protocolo de colaboração recentemente assinado com a Sociedade Brasileira de Espeleologia com o objectivo de auxiliar esta congénere na implantação da Escola Brasileira de Espeleologia. No panorama internacional em geral e no africano em particular, Angola é um país com elevado potencial espeleológico. No entanto a espeleologia em Angola permanece em branco no mapa da espeleologia mundial. Na verdade, para além das escassas referências existentes no âmbito da biologia, arqueologia e paleontologia, o património espeleológico de Angola não foi ainda alvo de um estudo sistemático representativo do seu potencial. O desenvolvimento da espeleologia está sempre associado a um aumento do potencial turístico e cultural das regiões cársicas. Sabendo-se que os recursos hídricos das regiões calcárias representam cerca de 20% das reservas de água potável à escala planetária, o desenvolvimento desta actividade de uma forma sistemática permite um melhor conhecimento do potencial hídrico destas regiões, bem escasso e imprescindível quer para consumo das populações quer para actividades agrícolas e pecuárias. Assim sendo, a FPE propõe-se a implementar e dinamizar um projecto multidisciplinar com o objectivo de promover e desenvolver a espeleologia em Angola através da sistematização da investigação e exploração das grutas e cavernas, contemplando a formação de espeleólogos Angolanos.
Os parceiros
 O projecto Angola Subterrânea, promovido pela FPE, tem como parceiro institucional a Universidade Privada de Angola - Campus do Lubango. Estas duas entidades têm a seu cargo toda a coordenação do projecto nas mais diversas valências.
Os trabalhos espeleológicos são da responsabilidade do NEUA - Núcleo de Espeleologia da Universidade de Aveiro e do CEAE - Centro de Estudos e Actividades Especiais da Liga para a Protecção da Natureza.
Este projecto colabora ainda com o projecto PaleoAngola.
Perspectivas
Dado o enorme potencial e as infinitas possibilidades do trabalho espeleológico a desenvolver em Angola, este projecto, que se assenta numa clara partilha de informação e conhecimento nos mais diversos domínios da espeleologia, perspectiva que a curto prazo os grupos e associações dedicadas à espeleologia sejam uma realidade em Angola. Desta forma assegura-se que Angola e os seus espeleólogos possam continuar a desenvolver trabalhos neste domínio contribuindo assim para um maior e melhor conhecimento do seu património hídrico, natural, civilizacional e cultural. Perspectiva-se ainda que outras actividades, como o turismo, venham a beneficiar dos novos valores que este projecto vem acrescentar à actualidade Angolana.
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